23/04/2013

A visita cruel do tempo


Durante a leitura: "Bernadette", Four Tops*

Tempo s. m. Medida arbitrária da duração das coisas.

É assim que se desenha e se desenvolve a trajetória dos personagens de J. Egan. Num ir e vir de pessoas e diferentes épocas como se fossem imagens submergidas da memória de alguém que vê um álbum de fotografias de forma alinear.
A história começa com Sasha, jovem assistente de um produtor musical, que tem um passado confuso que se reproduz ao longo de sua trajetória. Em seguida conhecemos a história de Bennie, o produtor musical da história anterior em uma outra época. Mais adiante, depois de passar por alguns outros personagens que estão interligados com os anteriores, voltamos à uma outra época na vida de Sasha.
O interessante não são somente as relações que se tramam entre os personagens, mas a possibilidade de visualizar as mudanças e reviravoltas que o tempo, o grande titereiro, produz sobre a vida destas pessoas.
Difícil não fazer um paralelo com nossas próprias vidas, as expectativas, frustrações e surpresas nas voltas que o tempo dá.
A narrativa que particularmente me pareceu menos interessante é a do jornalista Jules, cunhado de Bennie e minha personagem predileta, Sasha, mas a narrativa mais interessante, sensivel e criativa é a da sua filha Alyson que é toda construida por meio de lâminas de power point que projetam sentimentos, impressões e conclusões de uma menina de 12 anos e poder de análise que vai muito além de sua idade.

*Bernadette é uma das preferidas de Sasha.
Mas eu ainda fico com Young Americans...

EGAN, Jennifer. A visita cruel do tempo. Tradução Fernanda Abreu - Rio de Janeiro: Intrínseca, 2011.